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18 agosto 2013

Entre o agora e o nunca



Com uma linguagem atual, crua e, algumas vezes até chocante para os mais sensíveis, J. A. Redmerski nos apresenta Camryn, uma jovem atormentada por uma fatalidade e vários revezes - o namorado morreu em um acidente de carro, o ex-namorado a traiu e o irmão está preso. E no meio disso tudo, Camryn tem que lidar com um trabalho que não gosta, a mãe voltando à adolescência e com Damon, o namorado da melhor amiga, Nat, revelando que sempre foi apaixonado por ela.

Sentindo-se sufocada, Camryn junta poucos pertences em uma mochila e parte em busca de uma vida mais simples, menos normal e menos complicada, pegando um ônibus rodoviário para lugar nenhum. Na sua ânsia de se afastar de tudo e de todos, Camryn não pesou os prós e contras de pegar a estrada sozinha (jovem, loira, de 20 anos, solta no mundo real) e é no ônibus para Idaho que Cam conhece Andrew e a partir daí a narração é feita pelos dois personagens principais.

Andrew está voltando para casa para ver o pai - morrendo com um câncer terminal no cérebro - e encontrar os irmãos. Inicialmente irritando Camryn com seu gosto musical - rock clássico - Andrew é um rapaz divertido e espirituoso, e, é claro, depois que ele defende Camryn de um pervertido, os dois desenvolvem uma amizade e Andrew convence Camryn a seguir viagem com ele, de carro, depois que os dois chegam à cidade onde o pai de Andrew está internado.

A viagem dos dois passa por paisagens americanas clássicas, como o Texas e Nova Orleans, mas poderia ser uma viagem para qualquer lugar do Brasil. Quem já viajou bastante sabe que chega uma hora em que as paisagens parecem sempre iguais - montanhas, mato, animais pastando, carretas na estrada - e nos identificamos com os questionamentos de Camryn e as amarras que ainda a prendem a uma vida de mágoa, sofrimento e ausência de emoções positivas.

Ao contrário de Camryn, Andrew não tem papas na língua. Ele é viajado, ele conhece diversos tipos de pessoas, ele tem aquele ar descolado e sensual. Mas Andrew também tem seus problemas. Criado por um pai extremamente machista, que não permite que os filhos chorem, que não é dado a abraços e elogios, Andrew traz suas sequelas bem escondidas. E é na estrada que Andrew e Camryn descobrirão as sequelas um do outro e tentarão se livrar do peso que todos nós trazemos nas costas, uma hora ou outra da vida.

Com uma "trilha sonora" incrível - Rolling Stones, Aerosmith, Kansas, Journey, The Civil War (que eu particularmente achei maravilhoso), Eagles e seu "Hotel California" em uma cena hilária, Bad Company entre outros mais, o livro é realmente uma viagem, não só física, como também emocional.

Camryn percebe a mudança que Andrew causa dentro dela e tenta lutar contra este sentimento, já que jurou nunca mais se apaixonar desde a morte do namorado, há cerca de um ano; porém, ao lado de Andrew, em uma incrível jornada pelas estradas americanas, ela explora os próprios limites e vivencia novas e intensas experiências. Os dois trocam confidências, segredos, risadas, angústias e conversam sobre seus sonhos. Andrew também tenta resistir, motivado pelos próprios segredos. 

Narrado em capítulos que alternam as vozes de Andrew e Camryn, Entre O Agora e O Nunca é uma história de amor e sexo, na qual os personagens testam seus limites, exploram seus desejos e buscam o caminho que os levará à felicidade.


A narrativa é gostosa  de ler, sem muitos altos e baixos. Andrew é um fofo,carinhoso, carismático e Camryn não é um protagonista chata, é descolada, centrada, mas de vez em quando adora umas loucuras. Outra coisa legal são as referências musicais .

O segundo livro, The Edge of Always (provavelmente, se a editora não fizer nenhuma mudança, "Entre o Agora e o Sempre"), 




BOA LEITURA...

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